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“Vou atender todo mundo”, afirma o pré-candidato a prefeito Sylvinho Ballerini

03/05/2020

Por José Aurélio Pereira e Grazi Staut

Sétimo de 13 filhos, Sylvio Ballerini pertence a uma das famílias mais conhecidas da cidade, com tradição no comércio, no futebol e na política lorenense. O pai, Milton, foi vereador. Um dos irmãos, Arthur, administrou Lorena por dois mandatos. Humberto, irmão também, foi vice-prefeito, vereador e presidente da Câmara. Milton, outro irmão, atuou da mesma forma na vereança.

De semblante tranquilo, Sylvinho recebeu com simpatia os jornalistas do Portal O Lorenense. A mesma simpatia com a qual cumprimentou as diversas pessoas que passaram por ele, durante a entrevista, na Praça Arnolfo Azevedo (lembrando que o bate-papo foi realizado antes da possibilidade da pandemia de coronavírus chegar a Lorena). Ele, que vai completar 70 anos em 2020, nasceu às 10h do dia 22 de setembro de 1950, na Santa Casa de Lorena.

À ocasião da entrevista, o pré-candidato ainda não havia escolhido o vice em sua chapa. Semanas depois, anunciou o nome do vereador Maurinho Fradique (MDB), presidente da Câmara Municipal.

Durante a conversa, que durou quarenta minutos, falou de suas ideias para o município e declarou-se preparado, com “uma experiência administrativa pública muito grande”, prometendo trazer novos empregos para Lorena. Confira o bate-papo, na íntegra:

 O Lorenense – O senhor é pré-candidato a prefeito de Lorena e vem de uma família tradicional, família Ballerini, e seu irmão já ocupou o cargo que você almeja: o de prefeito de Lorena. Qual o principal legado que você sente que sua família deixou para a cidade e que você quer dar continuidade?

Sylvinho Ballerini – Foi o trabalho que eles executaram com bastante fervor, atendia bem à população e essa cidade teve uma época muito boa. E a gente, como pré-candidato, tem essa vontade também, de trabalhar para que a cidade tenha o seu desenvolvimento normal, mas com mais rapidez. Porque Lorena é uma cidade gostosa, uma cidade boa, um povo bom… e com a experiência que a gente teve, a gente pode também ser útil para a cidade de Lorena.

O Lorenense – Você participou de três eleições para prefeito e acabou não tendo êxito. Você se considera uma pessoa resiliente ou um exemplo de superação? Como você se enxerga?

Sylvinho Ballerini Eu me sinto bem, primeiro. Na realidade, eu tenho uma história, né?! Desde os meus vinte e poucos anos, eu sempre fui convidado a participar da política, mas nunca despertou em mim uma vontade. Primeiro porque eu era jovem e não tinha um amadurecimento para assumir uma responsabilidade. E hoje, um pouquinho mais velho, com um conhecimento maior, com uma experiência administrativa pública muito grande, porque são 23 anos como diretor administrativo de uma instituição, que era a Faenquil, e que passou para a USP… porque a USP encontrou uma situação muito boa. Por coincidência, eu era o diretor, e passei a ser prefeito (da USP); fui convidado, por 10 anos. Então, alguma coisa a gente aprendeu. E amadurecendo, chega numa idade que você quer trazer coisas boas. Se, na época, a gente foi muito bem na faculdade, junto com os nossos funcionários, por que a gente não pode também pleitear a pré-candidatura de prefeito e fazer desta cidade também um exemplo?  

O Lorenense – Você é cabeça de chapa, dentro dessa sua pré-candidatura. Existe a possibilidade de você se tornar vice em alguma outra chapa? Essa é a primeira pergunta. E aí, emendando: você já tem algum vice em vista, dentro daquilo que você está querendo?

Sylvinho Ballerini – É uma boa pergunta. Primeiro, independente de se eu quero ser vice ou não quero ser vice, essa é a terceira campanha que eu me coloco como candidato. Então, é uma experiência muito grande. Nós somos bem votados pela população de Lorena e não ganhamos por algum motivo que a gente sabe, mas hoje é passado, não adianta reclamar. Meu vice, também surgem nomes aqui, nomes ali… Eu nunca falei que fulano é meu vice ou não, mas estamos trabalhando. Tem pessoas que vão conversando com a gente e vamos chegar em um denominador através da minha boca, não de notícias que saem aí, tipo fake News, que soltam “porque fulano é isso, fulano é aquilo”… E a verdade é essa: eu estou à disposição e não decidi ainda quem é meu vice. E eu vou conversar muito com a população, porque a população tem um peso muito grande… o que eles falam. Não digo os políticos, mas os que não são ligados à política. Eles têm um peso muito grande na minha vida, porque eles que votaram em mim.

O Lorenense – A gente percebe que todos os pré-candidatos, cada qual do seu jeito, tem alguma plataforma eleitoral, quer seja na área da segurança, quer seja na área do turismo… Qual é a sua principal plataforma eleitoral?  

Sylvinho Ballerini – Olha, a nossa plataforma, a gente tem conversado com muitas pessoas que são capacitadas, são técnicas, são pessoas que querem o bem de Lorena… A gente tem conversado para cada área trabalhar com um planejamento que a cidade tenha capacidade de desenvolver. Mas eu posso falar uma coisa para você, que na cabeça da gente, mostra várias coisas… Por exemplo: a segurança é uma coisa que as pessoas fazem pesquisas e reclamam muito. A saúde, a educação… São três coisas básicas, né?! Mas tem uma coisa muito importante, que é o emprego. Por que é importante? Porque o emprego você tem que buscar pra tirar esse pessoal que está desempregado. Famílias que precisam de uma força, a juventude que precisa do seu primeiro emprego… E eu acho que nisso, não é que eu vou ter facilidade, mas vou ser uma pessoa que vai lutar e nós vamos conseguir mudar isso aí.

E se os empregos vierem, o que pode acontecer? Diminui o problema de saúde, porque quem tá doente, é complicado… Você tem um problema, mexe com você! Tem outras coisas também… a educação e a saúde. A saúde eu acabei de dizer, melhora muito, porque normalmente os problemas vêm e as pessoas atraem coisa ruim. Tem filho que tá com problema, mulher com problema na família… Então, tudo isso são coisas que a gente pode minimizar. “Ah, você vai falar que vai acabar com isso?” Não, nós vamos melhorar! E o que está indo bem, a gente tem que procurar continuar e, se possível, melhorar. As coisas que, no ponto de vista da gente, têm que ter uma mudança, nós vamos fazer isso, com pessoas especializadas, técnicas, que a gente tem conversado. Porque não adianta eu falar que vou fazer isso, fazer isso… e a gente não estar estudando a situação de Lorena.

Eu, de fora, vejo os bairros que precisam de uma força muito grande. O Centro precisa de uma manutenção? Precisa, tudo precisa! Mas quem for ser prefeito, é prefeito de todos: de quem votou nele, de quem não votou… e procurar atender todo mundo bem. Falar pra mim que quem votou em mim, eu não sinto prazer? Sinto! E quem não votou? Tem muita gente que não votou em mim na eleição passada, mas gosta de mim! Mas tem pessoas que soltaram muita mentira, e pra desfazer isso se você não tem rádio, você não tem uma porção de coisas… é difícil. A gente quer entrar para fazer uma mudança em todos os aspectos.

 

O Lorenense – A questão do emprego, que você fala como uma preocupação sua… Como você pretende suscitar, criar postos de emprego?

Sylvinho Ballerini – Então, são várias coisas, né?! Primeiro: o comércio de Lorena. Estive conversando com um comerciante; ele estava com sete funcionários, passou pra uma. E outras coisas… O comércio é um mecanismo que você consegue melhorar o emprego. Mas o objetivo nosso é trazer empresas para Lorena. Também, falar pra você que a gente vai tentar trazer empresas grandes, é difícil, mas se vier, vai ser um prazer.

Nós temos aqui as nossas faculdades, universidades… São pessoas, são professores, doutores, que fazem pesquisa e têm muita coisa que podem oferecer para a cidade de Lorena, de graça! Tem a Universidade de São Paulo, que aqui é um campus, mas tem a reitoria, que tem em todas as áreas… Pessoas técnicas, capacitadas, consideradas dentro da América Latina como as melhores. Eu tenho um relacionamento muito bom na USP de São Paulo, porque eu fui prefeito por dez anos, e consegui ter um ambiente muito bom. Tem vários diretores… tem um que foi diretor da Poli, que é um curso da USP considerado o melhor da América… em várias áreas.

A gente fala também sobre o problema que tem acontecido em Lorena, da inundação. É culpa de quem? É culpa da cidade nossa, plana! Quando chove mais, ela tem que ter um escoamento de água melhor. Então, eu tô vendo isso… nas eleições passadas… Agora, se eu ficar falando que eu vou resolver, não posso falar! Eu sou pré-candidato.

Então, uma coisa o povo pode ter certeza: se eu chegar lá, vou ser uma pessoa que vai estar à disposição da cidade.  Porque o prefeito é um servidor público. E o que que acontece? O servidor é pra servir à população. Não temos que inverter, as pessoas chegarem… Temos que ir ao encontro do que precisa fazer, a gente tentar resolver.

E eu tenho uma característica minha, que na hora certa, eu tenho que falar. Às vezes eles confundem, né?! Isso não mexe comigo… “Será que o Sylvinho tem experiência?” Eu tenho experiência de 23 anos, tanto na área pública quanto na área privada. Tivemos empresa, perdemos empresa, mas não falimos… perdemos. E na eleição passada, soltaram que eu fali a All Sports. Eles não sabem que eu tinha vendido. O prédio era meu e eu vendi. Eu gostei sempre da parte de professor, fui educador, e tô deixando lá um currículo bom… Então, as coisas estão andando e eu creio que, com ajuda da população, das pessoas que não estão envolvidas politicamente, mas querem ver a cidade crescer, a gente tem essa facilidade de relacionar, escutar e pôr em prática as coisas que melhorem a cidade… Não melhorar pra mim e sim pra cidade.

O Lorenense – O senhor é evangélico?

Sylvinho Ballerini – Eu sou cristão. Participo da igreja evangélica, porque eu trabalhei no São Joaquim, fui coroinha, fui festeiro da Padroeira… Isso não quer dizer que eu mudei a minha concepção a respeito. Eu sou cristão. Um cristão pode ser católico, pode ser evangélico… mas eu frequento a igreja evangélica, porque eu gosto do louvor, gosto da palavra. É uma opção que eu tenho. Agora, meus irmãos todos são católicos e a diferença que eu falo é a seguinte: é você pôr em prática a palavra de Deus; e eu ponho.  

O Lorenense – A pergunta é se você pretende se lançar como a opção de candidatura evangélica? E a outra pergunta é: como vai funcionar sua campanha dentro das igrejas evangélicas e também dentro das igrejas católicas?

Sylvinho Ballerini – Bom, muito boa essa pergunta! Na igreja evangélica, eu sou sempre convidado a ir e frequento várias igrejas. Os pastores me convidam e eu vou. Os padres, as festas nas igrejas católicas… eu sou convidado pra ser padrinho e tudo… vou com o maior prazer! Porque pregam a mesma palavra de Deus. O mesmo Deus de lá não é o Deus de cá? Então, está na hora, na minha opinião, das pessoas poderem entrar na igreja evangélica e na católica. Qual é o problema? Você está recebendo a palavra de Deus. Discordo também de algumas coisas da igreja católica como da igreja evangélica. Mas acima de tudo, sou cristão.

O Lorenense – Então você se declara um candidato cristão? Nem evangélico nem católico…

Sylvinho Ballerini – Nem evangélico nem católico. Eu sou cristão. E o cristão pode frequentar as duas igrejas e eu frequento mais a igreja evangélica. Então, as coisas são assim… As pessoas, muitas vezes: “Ah, o Sylvinho vai entrar e vai acabar com a Festa da Padroeira“… Só porque eu frequento a igreja evangélica? Não tem nada a ver! Nós temos que incentivar a igreja a melhorar as festas e a igreja evangélica também criar atividades, porque tem que ter espaço pra todo mundo. O prefeito é de quem?  De todo mundo! E mesmo quem não votar em mim, eu tenho que tratar bem. E as pessoas que fazem fofocas, soltam notícias, têm que aprender o seguinte: que tudo que você faz com essas atitudes, só volta pra gente. Então, eu estou tranquilo. Quero ganhar! Quem é que não quer ganhar?

E outra coisa, olha… Eu nunca fui prefeito. Não pode querer falar que eu sou isso, que aquilo… Agora, eu tenho uma coisa: eu tenho histórico meu… Desde que eu comecei a dar aula, há 49 anos, eu não tive um problema. Na faculdade, como diretor, não tem nenhum processo do Tribunal de Contas; como prefeito do campus também. E soltaram, né? Como se eu fosse… E não tem um processo contra mim. E eu pretendo, se eu ganhar, continuar dessa maneira. Porque eu quero entrar não para me satisfazer, mas para dar atenção a uma população, principalmente a mais carente, que precisa de um prefeito lá que dê atenção à população. 

O Lorenense – Um dos problemas que mais chamou a atenção aqui, no início do ano, foi o medo da chuva. O que você pode fazer para contribuir nesse sentido?

Sylvinho Ballerini – A chuva, a gente já está vendo. Eu conversei com meu ex-diretor, que foi diretor da Poli, e ele tem na USP, em São Paulo, muita gente especializada nesses problemas de enchente, escoamento de água… O Paraíba, por exemplo, né? Ele passa lá na minha área de esportes da faculdade. E quando a gente era pequeno, vira e mexe, na época de chuva, o Taboão enchia e o Paraíba não tinha escoamento pra enviar água e ia um pouquinho… mas nunca houve uma coisa absurda, mas tinha. A cidade é plana, certo?

Eu falei outro dia: “Ah, perguntaram sobre o asfalto”. Quem é que não gosta do asfalto? Eu gosto. Só que o asfalto, em alguns lugares, não é bom. E eu, se eu for fazer alguma pavimentação na cidade, os bairros precisam… eu não faria asfalto, faria bloquete. Agora, o asfalto que está aí, quando você passa o asfalto por cima do paralelepípedo…

O Lorenense – Você faria bloquete? Desculpe te interromper…

 Sylvinho Ballerini – Bloquete nos bairros…

O Lorenense – Para escoamento?

Sylvinho Ballerini – Vou explicar pra você. Tá gastando um dinheiro… Olha, isso não é nada contra o prefeito. É uma opinião minha, porque eu sou lorenense. Como se eu fosse uma pessoa que perguntasse para mim: “O que você faria?” Eu pegaria esse dinheiro e aplicaria nos bairros. Tem bairros com problema de água, de esgoto… Tem bairros com ruas que dá o sol, que dá o vento, e entra dentro da casa uma sujeira do caramba…

Acho bonito, acho bom para dirigir, o carro seu não bate, nada… Mas tudo bem… arruma o paralelepípedo. Aí, quando você cobre ele com o asfalto, ele tem um aquecimento de 3 a 5%. Se você der 1% de aumento aqui, já prejudica você. Agora, isso acontece. E eu não faria isso. Eu, Sylvinho! Então, são coisas que têm acontecido que, se eu fosse consultado, daria a minha opinião. E não falaria que eu estou pronto, ou vou fazer isso ou aquilo… Não. Acho que tem muita coisa boa andando aí. E a gente, como lorenense… não falo nem como pré-candidato… O que é bom, você tem que falar: “Legal”. E o que não é bom, eu não falo mal da pessoa. Eu só acho que poderia melhorar, do meu ponto de vista.

O Lorenense – Por que o bloquete? Não entendi…

Sylvinho Ballerini – O bloquete é o seguinte: ao invés dele asfaltar, esse dinheiro que ele usou, devia usar nos bairros. Não gastaria nada aqui e gastaria nos bairros.

 O Lorenense – E o bloquete é mais barato?

Sylvinho Ballerini – Não, bloquete normal. Bloquete bom para calçar as ruas. Tem muitas ruas que precisam.

O Lorenense – Você está dizendo que priorizaria as ruas sem calçamento. É isso?

Sylvinho Ballerini – Isso, isso que eu faria! Nada contra… Eu acho que ele fez… Muita gente pede, muita gente gosta, mas precisa ver as consequências disso.

O Lorenense – E bairro rural, qual você acha que merece mais atenção?

Sylvinho Ballerini – Olha, o bairro rural é complicado. Nas duas eleições, eu fui, conversei tudo… Mas é uma realidade que a gente tem que dar atenção, que é o escoamento de produção, o escoamento dos plantios, gados, leite… E eu tenho também um carinho especial. Quem é que não gosta? Nós temos umas áreas que podem virar como passeio também.

O Lorenense – Por exemplo?

Sylvinho Ballerini – Você aproveitar… Tem muita gente que tem fazenda e quer fazer área de lazer, ecologicamente. Então, isso também pode melhorar.

O Lorenense – A questão da assistência médica: Lorena é uma cidade que acaba recebendo muita gente de fora do município e acaba tendo que dar assistência para essas pessoas, o que acaba onerando o município. Existe alguma idéia para converter esse problema?

Sylvinho Ballerini – Eu acho que uma das coisas é o seguinte: as cidades de fora usam… Eu não sei como é que está funcionando, mas eu vou dar minha opinião. Cachoeira, até Guará também usa… assim como Lorena também usa Guará, usa Taubaté… Nós temos que melhorar isso. Essas cidades têm as verbas do Governo Federal e Estadual para aplicar na saúde. Esse dinheiro que não está entrando lá, deveria entrar para a nossa cidade e, com isso, o prefeito poder ter mais condições de atender uma população que vem de fora melhor. Mais médicos, mais atenção, mais respeito… atender bem.

Eu, quando fui convidado para sair com o PSDB, surgiu até uma conversa: “Ah, vamos lutar para ter um hospital regional”. Por que não? Porque eu sei e ouço a população mais carente, da dificuldade, quando estão doentes, de ir para Taubaté, ir para São Paulo… e nós precisamos mudar isso. Atendimento é uma coisa impressionante. Uma das coisas também, que eu vejo, são os postinhos de saúde e o pronto socorro. Tem muita gente que não tem um problema grave e pode ser resolvido nos postos. Só que a gente tem que melhorar esse atendimento. Alguns lugares são bons, e os que não estão sendo, a gente conversar para melhorar.

O Lorenense – Quando você quis entrar para a política?

 Sylvinho Ballerini – Olha, em 2008 eu já fui convidado para sair pelo PSDB. Então vieram dizendo que eu era candidato, mas eu não tinha essa vontade. E aí eu ia ser o candidato, tava tudo certo… Quando faltavam uns 10 dias para a convenção, vieram me falar que eu era o plano B. E como eu não queria participar de política, eu falei: “Pra que eu vou me desgastar?” Aí eu falei: “Não! Numa boa, eu não vou ser candidato”. Aí, na campanha de 2012, o Fábio até me convidou para ser vice. Não tenho nada contra ele, acho que está fazendo um bom governo e tudo… mas era uma coisa que surgiu da noite para o dia, uma vontade de sair pela experiência que a gente adquiriu. E era uma coisa que eu tinha o chamado desde os 20 anos. Só que eu não estava preparado, era um pouco imaturo para a política.

 O Lorenense – Esse chamado, o senhor sentia dentro de você. É isso?

Sylvinho Ballerini – Eu sempre senti, mas falei: “Não é o que eu quero”. Tanto é que eu sai duas vezes candidato e fui muito bem votado: 17 e 20 e poucos mil votos. Numa cidade como Lorena? Perdemos porque não era a hora nossa. E eu acho que tudo tem o seu tempo… E agora nós estamos bastante, mas bastante preparados, pra assumir uma responsabilidade maior.

O Lorenense – Você é da área do esporte, professor de educação física e tal… Hoje, existe muito projeto ligado nessa área. Até a atual secretária de Esportes também é ex-esportista, que é a Vera. Que projetos você, enquanto esportista, tem para essa área? O que se pode esperar do Sylvinho Ballerini?

Sylvinho Ballerini – Essa é uma área muito gostosa, porque você tira a ociosidade dessa garotada que tá na rua, e tiramos as ações horríveis que essas crianças vão adquirindo… e poder ocupar o tempo delas com estudo e esporte. Mas não o esporte do jeito que é feito e sim o esporte com pessoas capacitadas, com materiais organizados, e é uma área que não fica cara, mas tem um retorno muito grande para a nossa sociedade.

E outra coisa… O pessoal fala: “Ah, o Sylvinho gosta de futebol”. Eles estão enganados! Sou professor há 49 anos e na USP, aqui, eu sempre me coloquei como coordenador, que dava aula, treinei time de futebol, fui campeão… Nós participamos de todos os campeonatos CaipirUSP, que é um campeonato tradicional da USP, só com alunos da USP do interior de São Paulo e até da capital. Nós fomos campeões quatro vezes! Nós levamos, em média, 800 alunos: 400 vão lá pra torcer e participam em todas as modalidades. Nossos alunos são espetaculares! Eles querem ajudar também.

Então, nós temos assim, uma oportunidade… Nós temos campos bons de futebol, temos quadras… precisa dar uma atenção. Vai jogar no campo e o campo está com a grama alta… Não pode! O campo tem que estar cortado, arrumadinho, bonitinho. Nós temos que ter professores, mesmo que não sejam… mas que são de algumas áreas que tenham um perfil de educadores também, pra aproveitar essa garotada, porque a garotada é o seguinte: eles gostam de comando. Onde é bagunçado, vira mais bagunça. Então, a gente quer fazer de Lorena uma área de esportes muito bem feita. Jogos Regionais, participar com atletas de Lorena… Nós temos aí o comércio, que pode ajudar. As empresas podem ajudar também… E a gente vai atrás de ter uma condição boa, para que o esporte volte a ser uma atividade que vai ajudar na educação das nossas crianças, dos jovens e também dos adultos e dos mais velhinhos, com atividades pra dar atenção pra eles.

 

O Lorenense – Pela sua trajetória, você já foi do PP, do Paulo Maluf, depois PTB, e hoje está no PSDB. Ou seja: o PP é considerado um partido de direita, o PTB vai mais pro centro e agora o PSDB, que é centro esquerda. Quer dizer…

 Sylvinho Ballerini – Minha opinião: falar de partidos pra mim, não posso falar muita coisa… Mas todos os partidos têm gente boa, tem gente mais ou menos e tem gente ruim. Só que é o seguinte: os partidos me convidaram, eu não fui atrás. Não porque eu sou diferente, mas apareceu a oportunidade de eu sair (candidato). Vieram vários partidos, mas quem veio mais firme comigo, eu falei: “Vou acreditar neles, porque estão me querendo”. Mas não me ajudaram em nada.

 O Lorenense – O que eu ia perguntar era exatamente isso…

 Sylvinho Ballerini – Agora, se eu falar sobre PSDB, bem claro: eu fui convidado várias vezes. Não foi agora, não. Eu era filiado do PSDB. Tanto é que, em 2008, eu era o candidato…

 O Lorenense – A figura mais importante no PSDB é o governador João Doria, que hoje em dia não é tão bem quisto assim, pelo fato de ter largado a Prefeitura e até pelo fato de ser um sujeito com fama de oportunista. Você não tem medo da sua imagem ser associada à impopularidade do governador?

 Sylvinho Ballerini – Não, não tenho. Sabe por quê? Porque ele é um cara competente e está no primeiro ano de mandato dele, assim como o presidente está. E tem gente que gosta, tem gente que não gosta.

Eu fui convidado há muito tempo. A primeira coisa que eu fiz: eu perguntei se tinha gente no partido. E não tinha ninguém! Então, eu resolvi aceitar o convite pra conversar com ele. Fui a São Paulo, eles receberam a gente no gabinete dele. Ficamos meia hora, ele convidou… E não prometeu nada não! “Ah, porque eu vou dar”… Não! Ele só me prometeu o seguinte: vamos trabalhar, vamos… é… três coisas, né? Os jovens, nós queremos que eles tenham oportunidades. As mulheres, que tenham oportunidades iguais às dos homens, que elas têm capacidade. E eu concordei, porque tem pessoas que trabalham pra gente, que são mulheres e homens. E quando a pessoa é boa, tanto homem quanto mulher, eles dão show. E quando é ruim, pode ser homem ou mulher, não tem jeito…

Então é o seguinte: o partido veio para mim, mas houve um problema do caramba! O Doria tirou foto comigo. “Olha, o partido é seu”… Aí veio para Lorena a nominata nossa. Aí um grupo aí trabalhou para não sair com a gente. O que eles fizeram? Chamaram um deputado aí… “E não sei o quê, e o Sylvinho não sei o quê e não sei o quê”… Poxa, eu fiquei… Aí eu falei assim: primeira coisa, eu não pedi para sair pelo PSDB. Veio o convite, eu achei que, no momento, era uma coisa boa. Aí a nominata parou quatro meses. Ficou um grupo aqui e o grupo que tava pedindo não tinha votado no Doria, porque tudo indicava que o França ia ganhar. Eu achava que o França ia ganhar. Mas eu votei nele. Então, ele conversou que era grato e não sei o quê…

O Lorenense – Você votou em quem? No França?

 Sylvinho Ballerini – No Doria! Nada contra o França, mas votei no Doria. E eu só não fui na passeata aqui porque eu trabalho. E eu dou o exemplo! Três horas da tarde e eu vou sair do meu emprego pra ficar numa carreata política aqui? Eu não posso. Eu estou sempre procurando fazer as coisas certas e os caras já querem dominar… Eu não tenho nada com isso! Então, eu participei, as coisas estão andando… E saiu a nominata nossa… Aí, o que aconteceu? Um grupo tentou impugnar a nossa convenção. Pô… nós fizemos tudo dentro do que tem que ser feito, publicar, etc..

O Lorenense – A queda de braços entre os deputados do PSDB…

O Lorenense – É uma bobeira!  Quatro pessoas que falaram: “Pô, o Sylvinho tirou”… Eu não tirei ninguém!

O Lorenense – Até onde eu sei, o grupo que queria para você era encabeçado pelo Sampaio e o Antônio Carlos. E o grupo que queria o do outro lado era encabeçado pelo Cury… Dois deputados federais.

Sylvinho Ballerini – O Cury eu não conheço pessoalmente, mas eu respeito. Agora, os caras que estão no partido querem que a gente fique mandando pra eles, de cinco em cinco minutos, o que está acontecendo. Eles são filiados como os outros! Eu vou contar uma historinha aqui: em 2012, eu fui candidato pela primeira vez. E minha mãe era filiada no PSDB, um irmão meu e não sei o quê… E a minha mãe estava sentadinha num banco em frente à papelaria do meu pai, na época dela… E convidaram ela pra ir: “Ah, mãe, vamos lá na Câmara, que tá tendo um evento”. Chegaram lá e pediram pra ela votar na convenção pra escolher… Pô, eu sou filho dela! Ela votou, depois que descobriu… Ela tava já velhinha, ficou chateada pra caramba! Então você vê a atividade…

Eu, quando recebi essa proposta, primeira coisa que eu perguntei foi se tinha gente assumindo o partido. Se tivesse, eu não iria, porque eu tenho convite de outros partidos. E as coisas foram acontecendo. Então, a minha mãe morreu, né?! Hoje, não tem jeito mais de fazer essas coisas…

Então, poxa… Normalmente, eram trinta pessoas que participavam da convenção. Nós tivemos cem! Poxa, nós temos no livro lá, está tudo marcado. Mas não briguei com ninguém, não fiquei bravo com ninguém, fiz a minha parte! Se é isso que eu tenho que fazer, eu vou fazer! E eu quero fazer isso por Lorena. O que for possível fazer para que a cidade tenha um desenvolvimento rápido, emprego, educação, segurança, nós vamos fazer.

 O Lorenense – Uma outra pergunta aí para um candidato que se declara cristão e que tem trânsito em todas as igrejas, como você falou: como você avalia o eleitorado homossexual, ou público LGBT?

 Sylvinho Ballerini – Eu acho normal. Hoje está assim, qual o problema? Me dou bem com vários, mas com muita gente… A vida inteira eu fui assim. Quem sou eu para determinar que tem que ser isso, isso e isso? Tem muita gente aí que fala mal e quer jogar porcaria no ventilador. Não vai conseguir! E eles me conhecem e sabem como eu sou. Eu respeito!

O Lorenense – Existe muita crítica em relação a perpetuar a cultura de Lorena, valorizar a nossa história, as personalidades da cidade. Você tem algum projeto para trabalhar isso na cidade com a população, na cultura e na educação?

 Sylvinho Ballerini Isso é importante mesmo! Eu acho que Lorena tem uma história muito bonita e nós temos que aproveitar e quando for colocar pessoas com esse nível de conhecimento, que eu tenho conversado. É que eu sou pré-candidato. Se eu ficar falando muita coisa aqui, cria até situação ruim para as pessoas que estão com a gente. Não falo nome, mas a gente quer ver não só essa parte. Nós queremos ver festa aqui na cidade, nós queremos desenvolver muita coisa… E eu levo jeito nisso aí. Então eu tenho que escolher… e eu já tenho mais ou menos na minha cabeça, e quando a gente fala assim: “Você já ganhou?” Não! Quem vai ser candidato, tem que estar preparado, porque a coisa é muito rápida! Então você tem que trabalhar toda essa parte…

Sou a favor do carnaval, mas um carnaval que tinha… Lorena tinha um carnaval, quando eu era mais jovem, aqui na festa… tinha aqui na Praça também um carnaval de rua. Você pode fazer também, mas tem que ter organização, disciplina, respeito… E as pessoas gostam de festa! E nós temos que fazer muita coisa pra população ter o que fazer. Nem todo mundo pode viajar, não é verdade? Então, aproveitar as escolas de Lorena pra melhor esse nível também.

Eu tenho uma facilidade também, que eu dou liberdade pra falar comigo. Na faculdade, eu era assim. Uma vez, eu tô na faculdade, recebo a pessoa… Um cara lá que trabalha, falou pra mim: “Ah, mas você não devia receber as pessoas assim”… Eu recebia quem fosse lá. E gostava de receber os mais carentes, sabe por quê? Porque eles tinham algum probleminha que você podia resolver, que não envolve dinheiro, nada… uma ajuda! O que eu pude fazer, eu fiz, nesses anos todos… E eu acho que se eu chegar como prefeito, eu vou ter uma condição melhor de tentar resolver problemas que as pessoas não estão nem aí.

 O Lorenense – São duas coisas que comentam sobre Sylvinho Ballerini, quando você está conversando com alguém… A primeira é que você é considerado uma pessoa afável, de fácil relacionamento. Porém, pessoas de fácil relacionamento atraem gente boa e gente ruim. Agora, a pergunta: como você pretende filtrar as pessoas que subirão no seu palanque?

Sylvinho Ballerini – Muito boa essa pergunta… Nossa, como é bom a gente escutar! Você começa a ser candidato quando há uma perspectiva, uma pesquisa que você tá melhor, começa a aparecer mais gente… É mentira minha? E como eu vou ser prefeito, eu atendo todo mundo, mas todo mundo que quiser conversar, desde o cara bom… e se for ruim, eu não sei, mas eu conversando, eu tiro essa… Só que tem um detalhe: eu não prometi nada! Pessoas que falam: “Ele vai fazer isso”… Vai fazer como, se o prefeito, se eu ganhar, vai ser eu?

E outra coisa: eu tenho que ter pessoas na secretaria, pessoas de confiança, não para ficar fiscalizando se os caras estão fazendo alguma coisa… Pra não ter oportunidade de gente entrar lá e se valorizar, mas não pra cidade, mas se valorizar pra tirar alguma coisa. Então, nesse aspecto, já aconteceu muita coisa, e Deus me deu um dom, que eu consigo captar isso aí. Mas respeito todo mundo, porque se eu for prefeito, eu vou atender todo mundo também, não vou? Tem que atender! Então, nós temos que acabar com esse negócio de ficar falando mentira, falar mal dos outros… Não podemos! Eu não vi a vida dos outros, como é que eu posso falar? Então é o seguinte: muitas vezes saem comentários… “Ah, o prefeito”… Como é que eu vou abrir a boca se eu não vi, não vejo e não tenho condição de falar mal de ninguém? Vão falar de mim aí em Lorena e eu tenho dificuldade, quando sai alguma notícia, de ir na rádio. Eu não tenho a oportunidade. Mas eu tenho oportunidade em outros lugares, eu converso com as pessoas e falo assim: tem que sair da minha boca! Não adianta o fulano: “Ah, o Sylvinho falou”… Eu não falei nada!

 

O Lorenense – Outra da sessão “dizem por aí” é que você tem um envolvimento muito grande com seus filhos na sua vida. E existe uma preocupação do eleitorado, que é a possibilidade do Sylvinho se comportar igual ao Bolsonaro, porque os filhos dele enchem o saco lá na presidência. A pergunta é a seguinte: até que ponto seus filhos vão interferir em uma eventual gestão sua?

Sylvinho Ballerini – Nenhuma! Eles são meus filhos! Como ninguém, eles têm liberdade de conversar comigo, como uma pessoa fala… ou outra. Mas não vão ter ação. Sabe por quê? Nós temos uma empresa grande. É uma empresa distribuidora de EPI, tem loja em algumas fábricas e no atacado, geram emprego… E outra coisa: eles não querem nada! Os filhos do Bolsonaro, eu não consigo… eu não faria isso se fossem meus filhos, de dar liberdade. Eles não têm que abrir a boca pra falar! Eu sou pai deles. Eles podem, como filhos… a gente tem um relacionamento bom, de falar pra mim: “Ah, pai, tá acontecendo”… E eu posso escutar, mas nunca vou tomar uma decisão imediata. Eu tenho que analisar, tem as pessoas que vão trabalhar com a gente, tem a população… e eu não posso falar besteira.

São excelentes filhos, são trabalhadores, não dependem de política! Os caras ficam jogando, porque eles não têm onde pegar em mim e querem arrumar alguma arte pra me desvalorizar, pra dizer que eu tô fazendo isso… Mas no fundo, não tem nenhuma possibilidade deles ficarem dando palpite, porque eles têm os compromissos deles. Eu tenho experiência na empresa privada e pública. Então, eu sei lidar com essas coisas. Meus filhos são muito bons, só que é o seguinte: são filhos meus! Se eu, quando discuto uma coisa, fico chateado, eles não têm se meter… Só isso.

O Lorenense – E o que você considera fraco na atual gestão?

 Sylvinho Ballerini – Olha, eu acho que ele é um bom prefeito, mas se eu falar aqui, já vai atrapalhar. Eu gostaria de dizer o seguinte: torço para ele ir bem. E quando ele acabar o mandato dele, que possa entregar para quem for assumir, como ele tá fazendo: em melhor condição do que quando ele recebeu.

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