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“Estamos preparados para enfrentar essa epidemia”, afirma o prefeito Fábio Marcondes

15/05/2020

Desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil, é grande o número de lorenenses que se preocupam e questionam sobre o planejamento e estrutura de atendimento aos doentes. De acordo com o prefeito Fábio Marcondes, Lorena está preparada para enfrentar a epidemia de Covid-19.

Na Santa Casa de Misericórdia de Lorena, são 20 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis, para pacientes SUS: 10 na UTI que já existia e agora são mais 10 na nova UTI, já em funcionamento, conforme anunciado nesta semana pelo prefeito, ao lado da vice-prefeita Marietta Bartelega, da secretária de Saúde Imaculada Magalhães e do superintendente da Santa Casa, Dario Costa. A nova UTI já estava construída desde outubro de 2017, mas faltava equipá-la, o que foi possível agora, após cumprimento de decisão judicial que determinava o repasse imediato de R$ 3,4 milhões do Governo do Estado (referente à parte da verba de um convênio que deveria ter sido repassada a Lorena em 2017). “Poucas cidades no Estado têm essa quantidade de leitos de UTI”, afirma o prefeito, levando em consideração a população lorenense, que gira em torno de 86 mil habitantes.

A Prefeitura comprometeu-se, ainda, a repassar R$ 300 mil para a Santa Casa durante os próximos três meses, para que as operações da nova UTI tivessem início imediatamente. Esse custeamento é necessário porque, enquanto não é feito o credenciamento federal das novas instalações, o repasse da União não vem para a cidade. E o prazo para o credenciamento é de 90 dias. “Não podemos esperar 90 dias para que isso aconteça, em plena pandemia”, afirma a prefeito Fábio Marcondes. A verba municipal inclui o pagamento de técnicos de Enfermagem, enfermeiros e médicos intensivistas.

Nova UTI da Santa Casa de Lorena

 “Essa é uma notícia que toca o nosso coração, enquanto administradores da cidade. Não foi fácil, mas os 10 novos leitos de UTI para Lorena agora são uma realidade”, afirma Marietta Bartelega. A vice-prefeita destaca o esforço conjunto que vem sendo feito, entre Prefeitura, Secretaria de Saúde e administração da Santa Casa: “Sem essa união, sem o trabalho em equipe, não seria possível alcançar esses resultados”.

Segundo a Prefeitura, dos 20 leitos de UTI na Santa Casa, 80% estão disponíveis para pacientes de Covid-19 e os outros 20%, para as demais patologias. Há ainda 14 leitos na Clínica de Isolamento na Santa Casa, com a possibilidade de ampliação para mais 50, se houver necessidade. O Hospital de Campanha Covid-19, com entrada independente (na mesma rua do Pronto Socorro), já está em operação. Além dos leitos de isolamento e UTI, a estrutura conta com equipe de triagem, sala de observação e tomógrafo. E no Hospital Unimed, há outros 10 leitos de UTI e 9 leitos de isolamento, para conveniados e pacientes particulares.

Nova UTI da Santa Casa de Lorena

Uma estrutura que não apareceu da noite para o dia. Segundo o diretor Clínico da Santa Casa, dr. Antonio Fernando Costa Filho, médico intensivista (CRM 154991), Lorena já começou a se preparar antes da chegada da pandemia ao Brasil. Confira o bate-papo com o médico:

 

Dr. Antonio Fernando

O Lorenense – Desde quando Lorena está se preparando para o combate ao coronavírus?

Dr. Antonio Fernando – Iniciamos esse trabalho precocemente, graças ao entendimento da Santa Casa de Lorena, juntamente com a Secretaria de Saúde, de que o isolamento social seria a melhor forma de prevenção. Em princípio, não tínhamos dados concretos e substanciais de que o isolamento em setores sem casos confirmados – e Lorena se encaixava nessa situação – seria a melhor conduta. No entanto, pensamos ser irracional andar na contramão da orientação de países já em surto, como China, Espanha, Itália e EUA. Trabalhamos em conjunto com a Secretaria de Saúde e o Poder Executivo, na formatação dos decretos e das normas para evitar a propagação da doença em larga escala na cidade.

Na Santa Casa, iniciamos o preparo para o enfrentamento à Covid-19 em 18 de março, com a suspensão dos nossos serviços ambulatoriais, suspensão das cirurgias eletivas, restrição nas visitas aos pacientes internados, otimização de compras de EPI`s, criação de leitos em ambiente de Enfermaria específica e isolada, além da conscientização e orientações das equipes assistenciais e colaboradores da instituição.

Na semana seguinte à suspensão de alguns serviços prestados pela Santa Casa, graças à parceria com o Exército (5º BIL) e Defesa Civil, conseguimos o empréstimo de tendas militares, para estruturar a triagem no Hospital de Campanha Covid. Dessa forma, seria possível separar o atendimento de pacientes com sintomas gripais dos demais pacientes.

O Lorenense – Como é a estrutura do Hospital de Campanha da Santa Casa?

Dr. Antonio Fernando – Realizamos obras emergenciais para separar e adequar o fluxo de atendimento, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, OMS (Organização Mundial da Saúde) e Secretaria da Saúde, com distanciamento mínimo entre os pacientes a serem atendidos, num fluxo mais linear, evitando a disseminação do coronavírus. A área física do PA (Pronto Atendimento) Covid divide-se basicamente em 4 setores: cadastro e triagem, espera externa, atendimento médico e observação.

Foi instalado um aparelho de tomografia computadorizada, essencial para o diagnóstico dos casos de Covid-19 com evolução desfavorável. Também temos leitos de urgência para os pacientes nesse setor, com monitorização multiparamétrica, ventilação mecânica e suporte intensivo.

Os recursos humanos estão sendo realocados conforme a necessidade e, diante da demanda imposta pelo surto, que se intensificou nas duas últimas semanas, poderemos ter uma visão menos turva da situação.

O Lorenense – Como é o atendimento?

Dr. Antonio Fernando – O atendimento é feito 24 horas por dia, com triagem feita pelos enfermeiros e avaliação médica na sequência. Os protocolos de atendimento já estão instituídos, bem com o plano de contingência.

O Lorenense – Quantos leitos há na Clínica de Isolamento e quais os procedimentos de segurança para proteger as demais alas, pacientes e equipe do Hospital?

Dr. Antonio Fernando – No momento, possuímos 13 leitos de isolamento para os pacientes suspeitos ou confirmados de Covid-19, mais um leito de emergência, caso seja necessário, totalizando 14 leitos. Mas a nossa área física possibilita a criação de mais 50 leitos, caso haja demanda. Por se tratar de uma área de isolamento, ficam preconizadas as portarias e resoluções para este fim. Cumprimos todas com rigor.

O Lorenense – Lorena possui, hoje, 20 leitos de UTI na Santa Casa e 10 leitos no Hospital Unimed. Este número é suficiente para atender à população lorenense – casos de Covid e outras patologias?

Dr. Antonio Fernando – Em se tratando da Santa Casa de Lorena e em concordância do que está sendo realizado nos grandes centros, criamos áreas específicas para o atendimento dos pacientes suspeitos e confirmados. Os equipamentos de suporte avançado de vida para atendimento à população estão disponíveis conforme a necessidade, em toda a instituição. Novos respiradores e monitores já foram comprados. Estamos aguardando a entrega. Mas diante do cenário atual, neste momento, o número de leitos é suficiente.

No entanto, é importante enfatizar que somos referência para diversos municípios da região e, portanto, não atendemos apenas munícipes de Lorena. Como o processo é dinâmico, hoje ainda estamos conseguindo gerenciar isso. A incidência de pacientes com Covid vem aumentando, desde a última semana. A perspectiva é de que aumentará ainda mais, pois a curva de contágio é exponencial. É por isso que o distanciamento social é crucial.

Nova UTI da Santa Casa de Lorena

O Lorenense – Você acredita que a equipe do Hospital está preparada para uma possível explosão de casos na cidade?

Dr. Antonio Fernando – Ninguém está. O exemplo clássico disso está na capital de São Paulo. Nos dedicamos a preparar a estrutura e nossas equipes, que é o que podíamos fazer. Mas dizer que estamos totalmente preparados para uma possível explosão de casos de Covid-19 em Lorena, não dá, porque não dá pra ter uma noção real da pandemia até que ela aconteça. Diversos países, com sistemas de saúde extremamente mais evoluídos e avançados que o nosso, passaram por sérias dificuldades estruturais e de recursos humanos. Com isso, muitas pessoas sucumbiram.

O Lorenense – Há EPI’s, medicamentos, materiais de limpeza, alimentação e profissionais suficientes?

Dr. Antonio Fernando – No momento, sim. Todos os insumos que se fazem necessários para a assistência ao paciente e que não se encontram em falta no mercado, estão disponíveis.

O Lorenense – Como você avalia esse trabalho de combate ao vírus na cidade?

Dr. Antonio Fernando – A pandemia está sendo tratada com seriedade por todos os órgãos competentes no município, seguindo a recomendação do Estado, como o isolamento domiciliar. O prefeito Fábio Marcondes, a Secretaria de Saúde e toda a equipe da Prefeitura não vêm medindo esforços para que possamos enfrentar essa pandemia. Contamos ainda com diversos outros parceiros nessa luta, mas seria injusto citar nomes, porque há uma corrente em prol da Santa Casa, nos apoiando de diversas formas.

O Lorenense – Como você avalia a velocidade da progressão da doença em Lorena, desde a confirmação do primeiro caso?

Dr. Antonio Fernando – Lorena está num ponto estratégico, entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, próxima dos grandes epicentros, que possuem diversos casos e muitas mortes. Inicialmente, achei que o primeiro caso fosse surgir mais precocemente, devido à localização do município. Porém, não foi o que ocorreu. De fato, o crescimento da doença demonstra ser exponencial e a perspectiva é a de que os novos casos aumentem. Torço para que não! Mas isso não depende de torcida e sim de atitude, ou seja, a prevenção.

O Lorenense – É possível fazer alguma previsão para as próximas semanas?

Dr. Antonio Fernando – Por se tratar de uma pandemia, seria impossível mensurar o impacto nas próximas semanas ou meses, mas não circular pela cidade desnecessariamente e não fazer aglomerações é fundamental.

O Lorenense – Pelo que você tem vivenciado na linha de frente, qual é o maior desafio no enfrentamento da doença?

Dr. Antonio Fernando – Veja bem, essa crise me fez repensar diversas coisas em relação à minha postura como médico intensivista. Lido com doentes graves, portadores de doenças ameaçadoras de vida todos os dias. Porém, nunca vivi nada parecido com isso. Nunca achei que fosse vivenciar o que estamos vivendo hoje. Algo parecido pode até vir, mas acredito que não será igual. Profissionais da saúde acuados, com medo de se contaminar, medo de não ter “ar”, medo do parente ficar doente, medo de ter que se afastar, medo de não poder trabalhar, entre outros. Entretanto, todos honrando com o compromisso de cuidar e salvar vidas. Tudo é muito novo. As condutas mudam o tempo todo.

Estar na linha de frente, no enfrentamento da Covid-19, lidando com os pacientes mais graves, na UTI, é muito sério. Tenho que estar atualizado e atento a todas as mudanças que precisam ser realizadas. É um trabalho árduo, uma grande responsabilidade, mas acredito que tudo dará certo. Espero estar certo. Nós não vamos desistir.

O Lorenense – Se perguntássemos se você está na linha de frente por opção ou por obrigação, o que diria?

Dr. Antonio Fernando – Após minha formação médica e especialização em Medicina Intensiva, me tornei um profissional da área da Saúde, com o objetivo maior de cuidar do próximo com amor e dedicação. Posso dizer que é uma opção, bem como uma honra, pois em um momento tão turbulento e novo, como o que estamos enfrentamos agora, poder contribuir com a sociedade, de um modo geral, é muito gratificante.

Buscamos, sem medir esforços, proporcionar aos pacientes que estão sob o nosso cuidado, toda a presteza e eficácia no tratamento, para que estejam de volta à família e à vida normal o mais rápido possível.

O Lorenense – Qual a maior decepção de realizar esse trabalho?

Dr. Antonio Fernando – Quando infelizmente, mesmo com todos os esforços dispendidos, não conseguimos salvar o paciente.

O Lorenense – E qual é a maior gratificação?

Dr. Antonio Fernando – Quando o paciente tem alta hospitalar e é devolvido à sociedade.

O Lorenense – O que você destaca como aprendizado dessa experiência que, ao que tudo indica, está apenas começando em Lorena?

Dr. Antonio Fernando – O que fica de aprendizado é que, sozinhos, jamais conseguiremos ter êxito no combate a essa pandemia. Precisamos aprender a ter um olhar mais apreciativo e empático e deixar nossos valores de lado para o bem do próximo.

O Lorenense – Quais são as orientações de prevenção e de como proceder, em caso de sintomas?

Dr. Antonio Fernando – O distanciamento social é extremamente importante. Medidas como lavagem das mãos, usar máscara e evitar aglomerações também são fundamentais. É o que todos já sabem. E se o munícipe apresentar sintomas gripais como febre, tosse seca, falta de ar, dores de cabeça ou no corpo intensas, deve procurar atendimento médico.

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