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Sugestão à loja de departamento Havan: a acessibilidade merece mais atenção

12/12/2014

Fui conhecer a Havan, uma loja de departamento que acabou de ser inaugurada em Lorena. Aliás, uma loja gigante, em área construída às margens da Rodovia Presidente Dutra.
A Havan tem como símbolo a Estátua da Liberdade de Nova Iorque, por isso trouxe uma réplica dela junto ao empreendimento. Apesar de ser muito menor do que a original americana, ainda é grande se comparada à altura de um poste de iluminação, por exemplo.
Foi em solo lorenense que me dei conta, de repente, que não tenho uma imagem da Estátua da Liberdade no meu repertório. Por mais que eu tentasse buscar na memória alguma coisa que se aproximasse a essa representação, não encontrei, e confesso que fiquei curiosa por conhecer seu formato. Pude vê-la através da descrição que meus pais fizeram detalhadamente, mas talvez sua beleza tenha me encantado a ponto de eu sentir a necessidade de uma exploração mais real, numa réplica que coubesse nas mãos, talvez, ou que os braços pudessem alcançar. E como eu não poderia perder a oportunidade “Nova-iorquina”, também me permiti ser clicada ao lado do mais famoso símbolo mundial.
O interior da loja é muito amplo e a variedade de produtos surpreende. Achei os preços pouco convidativos, mas visitamos todos os departamentos. Funcionários relataram que o empreendimento foi entregue com atraso e às pressas, motivo pelo qual comprometeu a logística. Por mais que eles se esforçassem, e vi por lá um atendimento bastante agradável, eram muitos produtos sem cartaz ou etiquetas para identificação do preço. Porém, a fase de adaptação faz parte de qualquer novo negócio. 
No estacionamento, tinham muitas vagas exclusivas reservadas a pessoas com deficiência / mobilidade reduzida e também para idosos. Dos 19 caixas, um era reservado ao atendimento preferencial.
Entretanto, o que mais me provocou surpresa foi a irregularidade no piso. Era inevitável caminhar ali dentro sem ter que cambalear ou tropeçar nas emendas mal colocadas do porcelanato. Uma experiência horrível para mim. Há lugares onde o piso está tão saliente que fica um degrau no meio dos corredores; na loja como um todo, é bastante liso e escorregadio. Achei extremamente perigoso e desagradável subir e descer, enroscar o pé e arriscar um tombo. Comentando com um funcionário, o mesmo disse já ter observado a saliência na junção dos pisos e pontuou a pressa como fator responsável.  
Embora a loja seja extremamente ampla, não há sequer indícios de acessibilidade através de sinalização tátil, mapas táteis ou piso podotátil. Não sei se há intérprete de Libras e também acredito que a irregularidade no piso seja um obstáculo para idosos ou para quem use cadeiras de rodas. Os corredores são largos.
Sugiro então à administração da loja que essas imperfeições sejam corrigidas.  E, quem sabe, a Estátua da Liberdade possa também figurar lá dentro, numa maquete, para que seja apreciada por quem não pode vê-la ou tocá-la lá fora?  

COLUNISTAS / Luciane Molina

Luciane Molina é pedagoga, braillista e pessoa com deficiência visual. Possui pós-graduação em Atendimento Educacional Especializado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) e em Tecnologia, Formação de Professores e Sociedade pela Unifei (Universidade Federal de Itajubá).  Sua trajetória profissional inclui trabalhos com educação inclusiva, ensino do sistema Braille, da tecnologia assistiva, do soroban  e demais recursos para pessoas cegas ou com baixa visão, além de atuar desde 2006 com formação de professores.  Foi vencedora do IV Prêmio Sentidos, em 2011, e do IV Ações Inclusivas, em 2014, ambos pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo (SEDPCD-SP). Também é palestrante e co-autora do livro Educação Digital: a tecnologia a favor da inclusão. Atualmente, integra a equipe técnica da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso de Caraguatatuba (SEPEDI), com ações voltadas para a comunicação inclusiva, políticas públicas para pessoas com deficiência visual e Núcleo de Apoio às Deficiências Sensoriais.


braillu@uol.com.br

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