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COLUNISTAS / Café sem censura

A face desconhecida da política lorenense

09/05/2016

Na segunda feira, 2/5/2016, um áudio foi divulgado nas redes sociais, especialmente pelo Facebook, chocando e revoltando a todos que o ouviram. Trata-se da gravação de um telefonema entre o vereador Rosiney Cesar de Souza (PM Souza, do PPS) e uma pessoa tratada pelo vereador como “Major”.

Nessa gravação, o PM Souza demonstra-se muitas vezes nervoso e pronuncia diversos palavrões e expressões de baixo calão, referindo-se ao prefeito de Lorena e aos demais vereadores, citando alguns especificamente, um comportamento incompatível para o cargo que ocupa. Além disso, o vereador insinua em vários momentos a existência de atos ilícitos em alguns setores da administração municipal. Em síntese, pode-se deduzir que, nesse telefonema, o PM Souza se mostra revoltado pela reprovação de um projeto de lei de autoria do prefeito, que doava uma área pertencente ao município, localizada nas imediações da avenida Peixoto de Castro, ao denominado “Major”, para instalação de uma empresa.

Apenas para esclarecimento, o prefeito pode doar áreas pertencentes ao município para empresas que aqui queiram se instalar, sempre com a prerrogativa de fomentar o desenvolvimento do município e a geração de emprego. As propostas de doação dever ser avaliadas e votadas pela Câmara Municipal, para que sejam aprovadas ou rejeitadas conforme entendimento dos vereadores.

O projeto de lei de doação de área para o referido “Major” foi votado e reprovado pelos vereadores na sessão do dia 18/12/2015. Como a Câmara não disponibilizou a gravação da sessão em sua página no Youtube, conforme sempre faz, para atender o princípio da transparência e publicidade aos atos do Poder Legislativo, não foi possível verificar as ponderações dos vereadores ao votarem contra a doação dessa área. Porém, algumas informações extra-oficiais indicam que a área seria doada para a construção de uma lavanderia que geraria seis (6) postos de trabalho; e que uma das razões para sua reprovação foi que os vereadores consideraram o terreno, localizado em uma área nobre da cidade, um patrimônio com valor alto demais o metro quadrado para gerar apenas 6 empregos.

Tal situação parece que desencadeou no vereador PM Souza uma revolta grande, que o motivou a “atirar para todos os lados” e fazer graves insinuações de irregularidades em atos da atual administração municipal.

Entre as acusações de ilicitudes, PM Souza insinua que o período em que o vereador Luiz Fernando de Almeida Ribeiro (PSDB) assumiu a Secretaria de Educação, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, foi para “assinar cheques” que a ex-secretária da pasta se negou a assinar. Nesse trecho, o vereador levanta inclusive a possibilidade do prefeito fazer coisas “não corretas” alegando ser para o bem da população.

Em outros trechos do telefonema, o vereador fornece indícios da influência que o prefeito tem sobre a Câmara Municipal, para aprovação ou reprovação de projetos; além de insinuar o envolvimento de dinheiro para aprovação de doações de áreas para empresas.

Em entrevistas a uma rádio local ao longo da semana, os vereadores Luiz Fernando e Marquinhos da Colchoaria (PSDB), que também foi citado de forma ofensiva pelo vereador PM Souza, se mostraram indignados com as declarações contidas no áudio e informaram que acionariam a Justiça para as medidas cabíveis. Adiantaram também que entrariam, na Câmara, com um pedido para que providências sejam tomadas. Caso a Câmara venha a acatar esse pedido, uma Comissão Especial de Inquérito pode ser instaurada e o vereador PM Souza poderá ser cassado por quebra de decoro parlamentar.

Em nota oficial emitida ao longo da semana, a Prefeitura repudiou as declarações do vereador e informou que protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público, solicitando a averiguação dos fatos narrados pelo envolvido.

Pela repercussão do acontecido e as graves ofensas proferidas nesse áudio, tudo indica que o vereador PM Souza está com seus dias contados na Câmara. Terá seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. Que isso sirva de lição, pois o mínimo que a população espera de seus representantes eleitos é que tenham uma conduta adequada e respeitosa, mesmo quando não estão em público. Oxalá a Câmara tivesse tido o mesmo rigor com relação a vereadores que usam a tribuna para proferir palavras de baixo calão e ofender e agredir verbalmente inclusive a própria população.

Em que pese a necessidade de se punir o vereador por sua conduta reprovável no exercício da função, suas insinuações e até afirmações sobre atos inadequados envolvendo a administração municipal não devem cair no esquecimento. Até porque parece que esse foi apenas o primeiro áudio divulgado de uma série de outros, contendo revelações graves da face oculta da política lorenense.

O que nós, cidadãos, esperamos, é que tudo seja rigorosa e imparcialmente apurado. Se a Câmara se omitir nessa questão, então que ao menos o Poder Judiciário aja de acordo com suas prerrogativas.

COLUNISTAS / Savio de Carvalho

Sávio de Carvalho Pereira, natural de Lorena, é pai da Luane e mestre em Engenharia Química pela Faenquil (hoje EEL-USP). Amigo, leal, bem humorado, teimoso, é realista, mas sem perder o idealismo, sobretudo quando se trata de construir um mundo melhor para se viver, onde haja harmonia entre o ser humano e o meio ambiente.


saviocp@outlook.com

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