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Homenagem nostálgica a Lorena

16/10/2019

Lembra do escritor, professor e poeta Olavo Rubens Leonel Ferreira? A seguir, vale conferir uma de suas crônicas, “uma declaração de amor a Lorena”, segundo sua esposa Alceli.

À MINHA CIDADE

Hoje eu acordei pensando em você. No meio-dia da minha imaginação, estou na sua Praça Principal, onde circulam fantasmas do meu passado.
Esse aí que vem de bicicleta, cachimbo na boca e um “sombrero” descomunal, é o “Edson Louquinho”, perguntando-me:
– E a dona Maria, como vai?

Minha mãe já morreu há muito tempo, mas eu lhe respondo invariavelmente:
– Ela vai bem, obrigado!

Logo ali, onde os seus contemporâneos urbanos insistem em dizer que se ergue o banco Santander, está certamente, na concretitude onírica da memória, o Clube Comercial. Veja, cidade querida: aquela pessoa debruçada numa das janelas que dão para a praça não é o Carlinhos Araújo? Ele está conversando – os atuais lorenenses não o veem? – com o capitão Novaes, que passa por ali à procura de alguém.

Hoje, cidade, eu sou todo seu: agora estou entardecendo com você na rua Dr. Rodrigues de Azevedo, em plenas quatro horas da tarde, os olhos ofuscados por um sol que morre no fundo da Matriz. Vejo por ali passar toda uma gente que eu amo: o meu irmão Olavinho, a minha mãe, a sonhadora professora de História do Arnolfo Azevedo, o meu pai, um contador de olhar severo de afirmativo.
E o que dizer de outros amigos queridos que hoje, neste dia reminiscente, circulam por essa rua?

Veja, Lorena, o professor José Geraldo Evangelista, que tanto escreveu sobre você no século XIX, cumprimentando-me alegremente. Ali passa o Ruyter Cabral, da bicicletaria:

– Ei, Ruyter, como vai você?
O Pedro Maurício de Azevedo, irmão da Maria do Carmo, está virando aquela esquina; o dr. Mário Mendes dos Santos caminha pela calçada; o Bertolino de Almeida acena-me feliz, da janela da ambulância municipal.

Hoje, Lorena, eu acordei pensando em você. Onde quer que eu vá – aos lugares mais distantes ou aos umbrais tenebrosos da morte – irei sempre levá-la comigo. Você é um lindo sonho urbano que me persegue e conduz às minhas origens de menino.

Minha cidade: de repente as suas lembranças me entontecem, desaparece a minha identidade em você!

Olavo Rubens

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