Desde a morte da Carolina, venho filosofando um pouco sobre a vida. A vida dela, como ela vivia, como vivo a minha e, sobretudo, em como conduzir a minha vida para ser tão amada, querida e deixar um pouco de mim em cada pessoa amiga, assim com fez Carolina.
Numa missa de domingo, o evangelho foi sobre Emaús. No sermão, o padre Mário pregou sobre como fazer o bem com as mais simples palavras: precisamos repartir o pão. E como nós, humanos, podemos fazer isso? É claro que não vamos operar nenhum milagre. Basta somente que recebamos a todos bem, principalmente que acolhamos a todos em nossa casa, em nossa vida. E foi justamente isso que fez Carolina. Com amor e sem preconceitos nem distinção, ela acolhia em seu coração, em sua vida, a todos que conhecia.
Encontrar a Carolina era conversar por horas, porque o assunto não acabava. Conversas alegres, empolgantes, novidades. Carolina era alegre, feliz, não tirava o sorriso do rosto. Mas era porque ela tinha fé. Para nós, ter fé é achar que Deus vai fazer um milagre e curar a pessoa da doença. Na verdade, nós exigimos isso Dele, achamos que é obrigação Dele curar uma pessoa como a Carolina, e que não merecia passar pelo sofrimento que passou. Mas não… Ela nos deu o exemplo de que ter fé não é esperar de braços cruzados que seja curada e sim lutar para que receba a cura. E se não receber esse milagre, não é porque Deus não quis e sim porque assim que tinha que ser. Isso aprendi com ela: a lutar, sempre.
O último dia que a vi foi reconfortante. Foi 13 dias antes de sua morte. Ela estava deitada na cama, de vestido vermelho, com celulares, computador e papéis, documentos e canetas ao seu lado. Fiquei envergonhada pelo sentimento de compaixão que tive por ela, antes de vê-la. Depois que a vi, soube que ela é quem estava me ensinando que a força da fé é maior que tudo. E então fiquei com o coração em paz. E foi assim que recebi a notícia de sua morte. Porque foi ela quem me deixou em paz.
Agora, a prova da existência da Carolina na Terra são seus filhos. A educação, amor, carinho, paciência, coragem, fé… são a herança que ela deixou para sua família. Hoje, peço todos os dias para que Carolina me ajude a viver a vida como ela viveu. Que me dê força, fé e coragem para enfrentar as dificuldades que eu tiver pelo caminho. Por fim, só tenho a agradecer a Deus, por tê-la conhecido e por ter feito parte da sua vida.
Declarações sobre Carolina
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