Por Vânia Alves
Os parentes estavam certos, o tempo voa sim depois dos 18!
Só que meus ‘18’- como sinônimo de liberdade e independência – vieram apenas com o fim da faculdade, este longo ciclo encerrado há pouco mais de um ano. Ah, este ano sim, voou!
E já que a entrega do artigo coincidiu com esse momento de retrospectiva, optei por adiar os textos impessoais – os quais terão, com certeza, o seu momento – e fazer deste espaço uma necessária fonte de fôlego e de planejamento interior, a mim e ao leitor.
A proposta como mulher e profissional não é a nota, a aprovação, a bolsa-auxílio, a vaga de estágio, o destaque empresarial.
Trata-se agora de dar espaço ao chamado interior que, confusamente, se vê despertado por várias fontes difusas, aparentemente não convergentes. E iniciar um projeto pessoal traz frio na barriga e hesitação.
Principalmente porque, por anos, dedicamos tempo, esforço, conhecimento e esperanças em projetos que, em verdade, nunca nos pertenceram.
Exercemos funções, cumprimos atividades, alcançamos metas, elaboramos e seguimos cronogramas. Mas o processo de escuta, de descoberta de anseios próprios a serem traduzidos em projetos, de resgate de intenções lá do campo das ideias, tornando-as palpáveis, é aprendizado inexistente no ambiente escolar e no mercado de trabalho convencional – e ainda não vejo mudanças consistentes nas novas gerações de estudantes que conheço.
Somos hoje tão operários quanto o bom e velho Carlitos de ‘Tempos Modernos’!
Posso dizer que esse projeto pessoal tem exigido planejamento, coragem e trabalho. Etapas triviais, com as quais já que estamos acostumados, não é mesmo?
Talvez não. Hoje as vejo intrinsecamente ligadas, inter-relacionadas.
O planejamento aqui não é mais o da engenheira ainda em formação, com inúmeras ferramentas matemáticas e computacionais, diagramas, mapas conceituais, matrizes SWOT.
É sim um breve preparo para a experimentação de hoje, que trará seu feedback para repensar a experimentação de amanhã. Sem excessos de cautela. Sem se sobrepor ao trabalho.
E trabalho, não mais o das 7h às 17h, de segunda à sexta, com descanso remunerado e estável. O sucesso como plenitude do projeto pessoal, a mente e o coração se conectando em definitivo fazem o estudo, o trabalho e o lazer tornarem-se unidade, como já defendia o sociólogo italiano Domenico de Masi.
No mais, receitas nunca existirão.
Deixo a todos a semente deste mesmo anseio de se descobrir único, em um mundo tão confiante na homogeneidade.
Sobre a autora:
Vânia Alves é graduada em Engenharia Industrial Química pela EEL-USP e integra a Academia Jovem de Letras de Lorena. Tem interesse pela escrita jornalística e de resenhas, além de se arriscar na poesia e prosa como deleite.
Contato: vaniaoalves@gmail.com
Esse texto é de exclusiva responsabilidade do autor. A AJLL não se responsabiliza pelas possíveis opiniões aqui apresentadas. Respeitamos a criação literária de cada autor, difundindo linguagem literária de linguagem gramatical, em textos que julga ser necessário







