Por Gustavo Andrés Diaz
No clima frio, as gotas de chuva escorriam pela janela, suaves. A luz rarefeita entrava no cômodo aos poucos. O vi se acomodar na cama, olhando para o sol ao fundo das nuvens – as pupilas se contraíam aos poucos -, com um brilho esperançoso no olhar. À espera de uma chance de sair de casa sem precisar se preocupar com guarda-chuvas ou agasalhos, um daqueles dias especiais nessa época do ano. Sentiu o cheiro do café da manhã, me encarou.
– O que temos hoje? – perguntou.
Não processei a informação, meu foco continuava em seus olhos. A cor sempre era um mistério. Vi meu reflexo neles, talvez mais, o meu destino. Na mudança de ambiente, a metamorfose aconteceu – a íris entrelaçada diminuiu, aumentando o vazio de seus olhos. Ainda me encarando, esperava uma resposta – queria uma -, mas não soube o que responder. Perdi-me no vazio.
Olhei para a luz que ficava mais intensa no outro cômodo – o meu vazio diminuiu. Ouvi-me dizer:
– O dia está clareando!
Automaticamente, vi o universo à minha frente se iluminar junto de um sorriso. A íris voltou a fazer sua dança com a pupila, impondo sua presença, enquanto ele retornava à cama, olhando para a paisagem lá fora, desta vez, ao contrário, a cabeça pendendo no colchão.
Então, num piscar de olhos, tudo escureceu. Voltei à realidade, sentindo, talvez, o mesmo sol brilhante daquele dia esquentando minha pele. No meu atual vazio, eu vou e volto num eterno déjà vu. Talvez minha cobiça tenha me pregado uma peça naquele dia. Vi meu destino e agora pago por isso. Sem poder ver o universo metamórfico. Esqueço os pensamentos quando ouço sua voz:
– Adivinhe o que temos hoje!
Sobre o autor:
Gustavo Andrés Diaz é estudante de Física. Sempre buscando os pequenos detalhes ao seu redor e, quando encontra, os põe no papel, mostrando o quão interessantes podem ser. Escreve suas histórias aos poucos, esperando uma iluminação criativa para juntar os pedaços. Otimista, segue a vida determinado e procurando sempre uma risada.
Esse texto é de exclusiva responsabilidade do autor. A AJLL não se responsabiliza pelas possíveis opiniões aqui apresentadas. Respeitamos a criação literária de cada autor, difundindo linguagem literária de linguagem gramatical, em textos que julga ser necessário







