Já há algum tempo na Divisão de Homicídios de São Paulo, confesso que acompanhar a perda da vida de quem quer que seja não é uma tarefa das mais fáceis. Acredito que os que estão neste Departamento são escolhidos por Deus. Trabalho com muito empenho e dedicação, uma vez que trabalho com o fim de um bem maior, “a vida”, que de alguma maneira foi interrompida.
Lamentavelmente, receber a notícia que um dos nossos parceiros de trabalho partiu foi muito difícil.
O policial civil Leandro de Abreu, integrante do Grupo Especial de Atendimento a Local de Crime (Geacrim), do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), faleceu na manhã do sábado (9/7), vítima de latrocínio. Leandro foi abordado por ladrões na garagem de sua residência, levou três tiros e morreu na hora. O policial aguardava sua mãe para levá-la ao médico, instante em que apareceram os indivíduos e o alvejaram, levando seu veículo, e muito mais que isso, sua vida, mesmo, segundo relatos de testemunhas, tendo implorado por ela.
Ladrões cruéis que não respeitam nada e ninguém, mas que se fossem abatidos, estariam cheios de defensores, dizendo que os indivíduos são vítimas da sociedade, sociedade esta que está cada vez mais presa aos seus lares.
Na noite do mesmo sábado, compareci ao velório e presenciei uma cena muito triste: uma mãe inconsolável sobre o caixão de seu jovem e bom filho, conversando, tentando entender sua partida precoce. No seu rosto, uma expressão de angústia e de dor. Confesso que não consigo expressar meu sentimento ao ver um companheiro de trabalho partir. Talvez uma mistura de tristeza, de indignação, com uma vontade louca de sair dali e caçar os autores até encontrá-los e entregar à sua mãe, antes mesmo de enterrá-lo.
Ao deixar o velório, fui até a mãe do Leandro para despedir-me, tentando deixar meu abraço de solidariedade, de força, de fé, instante em que ela segura uma de minhas mãos e, com os olhos marejados de lágrimas, faz um pedido. Olhando em meus olhos, primeiro agradece e depois pede para que prendêssemos os indivíduos. Tive que me segurar, porque aquele era meu sentimento, minha vontade: a de poder entregá-la os responsáveis por terem tirado a vida de seu filho, de nosso colega.
Pois saibam, dona Beatriz e Leandro: como sempre, podem contar com meu empenho e dedicação. E se Deus assim me permitir, darei o máximo de mim. Estou inteiramente à disposição do Departamento de Homicídios, em qualquer dia e hora. Esse foi meu propósito de trabalhar no DHPP, esse foi meu juramento, que tenho o prazer e a determinação de cumprir.
E, para finalizar, gostaria muito de ver esse mesmo empenho e dedicação dos direitos humanos em prol de mais uma família policial órfã da criminalidade… porque da mídia, em geral, são só alguns minutos e depois, total esquecimento.
Descanse em paz, meu amigo! Deixo aqui uma homenagem, que foi uma de suas últimas postagens no Facebook, na noite anterior











