A situação é alarmante. Até o momento, segundo a Prefeitura, são 590 notificações. Destes casos notificados, 200 já estão confirmados, 197 descartados e outros 193 suspeitos aguardando coleta de material para exame.
Dos 200 casos confirmados, apenas 3 são importados. O restante dos infectados ficou doente aqui na cidade mesmo, confirmando o que já se sabia desde o ano passado: Lorena está infestada pelo mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.
Mais preocupante que estes 200 casos confirmados é a orientação de especialistas, de que para cada 1 caso confirmado, deve-se multiplicar por 10 para chegar a um número real da doença. Em Lorena, então, ao invés desses 200, teríamos 2 mil pessoas vítimas da dengue.
Para ser decretada epidemia oficialmente, uma cidade com 100 mil habitantes precisa ter 300 casos confirmados. Lorena, que tem cerca de 85 mil, então precisaria de cerca de 250 para caracterizar a epidemia. Ou seja, falta pouco.
Para o diretor técnico da Santa Casa de Misericórdia de Lorena, dr. João Roberto Marcondes Muniz, o aumento do número de casos de dengue deve ser mais significativo este ano nos meses de abril e maio, pois as chuvas de verão vieram mais tarde nesta temporada. Isso equivaleria a dizer que a epidemia já é inevitável.
Santa Casa de Lorena e Hospital Unimed têm aumento na procura em razão da dengue
Na Santa Casa de Misericórdia e no Hospital Unimed da cidade, é perceptível o aumento dos casos da doença e a procura no Pronto Atendimento por pessoas com suspeita de dengue tem sido ainda mais expressiva.
Segundo o infectologista consultor da Santa Casa de Lorena, dr. Marcos Lemos, todas as pessoas que começarem a apresentar os sinais da doença devem procurar um atendimento médico. “Quando o paciente chega ao Pronto Socorro, é feita uma triagem para saber o grupo de risco. A maioria é de baixo risco e precisa apenas de repouso, hidratação e remédio para dor. Mas na hora do atendimento, o paciente é classificado e em seguida vai receber o melhor tratamento”, afirmou o médico.
De acordo com as estatísticas da Santa Casa, em janeiro deste ano, lá foram atendidos 249 casos suspeitos, com 14 confirmações. Em fevereiro, foram registrados 73 suspeitos, com 9 casos confirmados.
Já a enfermeira Vanessa Miguel, responsável pelo Pronto Atendimento e Controle de Infecções do Hospital Unimed, afirma que a procura aumentou bastante nos últimos meses, a maioria dos casos via pronto atendimento. “Os pacientes chegam com os sintomas clássicos da dengue e são encaminhados para triagem pela equipe de Enfermagem. Depois, passam pelo médico, que determina se é preciso fazer hemograma ou não. Após o exame e pela avaliação do conjunto de sintomas apresentados, é possível saber se vai ser necessária internação”, explica Vanessa.
Segundo ela, para os pacientes internados, o procedimento é colher sangue para o exame de Antígeno NS1 (até o terceiro dia de sintomas) e a Sorologia para dengue até o 6º dia de sintomas.
“Nossas estatísticas de entrada via convênio contabilizam 9 casos notificados em janeiro e 21 em fevereiro. Destes, 14 foram positivados e os outros 16 estão aguardando confirmação”, completa Vanessa. No entanto, ela explica que só são acompanhados em relação à confirmação ou não da dengue os pacientes internados. Os demais casos são orientados e encaminhados à Secretaria Municipal da Saúde, que é quem controla as estatísticas do município.
Vanessa também disse que o balanço de março só poderá ser fechado após o término do mês, mas que já pode afirmar que houve um aumento considerável na procura neste mês, em relação aos dois primeiros meses do ano.
Fique atento
É preciso ficar atento aos primeiros sintomas da doença. A dengue, geralmente, mostra sua primeira manifestação através da febre alta, que varia de 39° a 40°C e dura de dois a sete dias. Além disso, outros sintomas que podem ser percebidos junto com a febre: dores de cabeça, dores no corpo e nas articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos, perda de peso e vômitos.
E não se esqueça de fazer a sua parte na luta contra essa doença. Só existe uma arma: eliminar os criadouros. 80% dos locais propícios à proliferação do mosquito estão dentro de casa. Então, mãos à obra. Não deixe água parada!
Para saber mais, leia o artigo do enfermeiro Mafu a respeito do assunto: javascript:nicTemp();







