“O Homem é um animal político” – Aristóteles, em ‘Política’
Essa eleição marcou nossa história e o que restou foi a comprovação de que os dois candidatos que competiram pelos votos da nação não são merecedores de ocupar o cargo de chefe de Estado, porque ambos não se comportaram com ética.
O ódio que vimos jorrando nas redes sociais foi incitado por esses candidatos, seus partidos e coligados; foi a marca das campanhas. Não podemos levantar o dedo e apontar um ou outro exclusivamente, porque todos eles têm culpa na troca de injúrias generalizada. E isso refletiu na população. Uma população imatura e pobre de ideologias políticas, e que não sabe discutir a democracia. Não quero ser utópica e pregar moralismos, mas o que nós presenciamos nesses últimos meses foi tudo, menos discussão sobre política.
Houve nas redes sociais, nas rodas de conversas, entre familiares, uma intolerância pela escolha partidária, uma discriminação política, de etnia. É tão absurdo quanto era a discriminação político-ideológica e racial de algum tempo atrás, basta lembrar das perseguições a Martin Luther King e Mandela. O que parecia sepultado para todo o sempre surge das cinzas com uma intensidade que atinge as raias do absurdo. Vale frisar que tal discriminação é crime previsto no Código Penal, artigo 140, §3º, com pena de reclusão de um a três anos e multa. É crime porque os xingamentos, ofensas e perseguição de uns com os outros atinge a dignidade e o decoro do ofendido.
Se você tem opção política diferente da minha, você tem o direito de votar no seu representante; caso ele ganhe, não é você quem ganha, tampouco eu perco. O que acontece é que devemos ambos ganhar uma melhor política que reflita na educação, saúde, economia e faça um país crescer para todos. E já ronda nas redes sociais que a atual presidente não está cumprindo com as promessas feitas em campanha há uns quinze dias. Cabe a todos nós, que votamos ou não nesse governo, cobrar que o plano político seja cumprido.
Foi montado um cenário de disputa partidária, uma luta do bem contra o mal, e não importa quem era bem e quem era mal, importa é dizer que não há mais partidos de “esquerda” e de “direita”, não há mais defesa da classe proletariada e da classe rica. O que há é um partido de interesses, o que o candidato ganha se for eleito por esse ou aquele partido, qual vai ser a vantagem da coligação, qual ministério vai “ganhar” se apoiar a eleição do presidente da República. É uma barganha, uma feira livre de cargos; ganha quem dá mais e aceita daquele que vai receber mais em troca. É uma teatralidade política, baseada em conjecturas vantajosas. Diante disso tudo, a nós resta entender que fazemos parte desse joguete político, não como telespectadores, mas como escritores dessa história. Não devemos nos tornar eternos fantoches.
O ideal é politizar nossas crianças, com vistas à mudança de pensamento, voltado mais para a política de Aristóteles, onde a política se une à moral e o fim último do estado é a virtude, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. Na realidade, é exatamente o contrário deste pensamento que assola a nossa sociedade, que se fundamenta no pensamento de Maquiavel, que se define na ‘arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo”. Mudando o pensamento, teremos futuras gerações sabendo discutir sobre política de forma construtiva e positiva, sabendo o que é viver e fazer a democracia.
Eleições presidenciais 2014
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