Um título alternativo para este texto seria “mil dias”, a contar de hoje, 5 de abril, quando chegaríamos do apaziguador futuro do dia primeiro de janeiro de 2019. Porém escolhi outro que lembrasse uma leitura recente, uma vez que, filosófica e socialmente, somos aquilo que lemos.
O professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite, em artigo de semana passada na Folha de S. Paulo, discorreu sobre as formigas, fazendo metáforas com o momento político atual. Desse texto, constato uma obviedade, que é mais fácil estudar e prever o comportamento dos seres irracionais do que dos racionais. A racionalidade não ajuda muito a entender a própria racionalidade, um paradoxo da natureza humana.
O rótulo de ciências permeia em todas elas, advindas da natureza humana: ciências sociais, ciências econômicas e ciências políticas. São baseadas em estudos, em evidências, em conhecimento, mas pouco podem contribuir para previsões. Mesmo a Economia, com forte fundamento na Matemática, trabalha no campo das probabilidades, cenários e hipóteses, que, como sabemos, não sempre se confirmam e ficam dependentes de comportamentos – humor do mercado, nervosismo dos investidores, desânimo, etc.
Tempos nebulosos se fazem perceber no horizonte e não há conhecimento histórico que impeça a repetição de erros do passado, quando vivemos momentos plúmbeos angustiantes promovidos por farsas, as mesmas de origem social, econômica e, principalmente, política.
A Química pressupõe o equilíbrio quando estuda as mudanças da matéria e a energia envolvida. Não é uma ciência exata que poderá ser a panaceia da solução dos problemas mundanos, mas um pouco de lógica contribuiria para dissipar a tempestade que se forma.







