O incômodo afeta alunos e professores nesta época. É preciso terminar de corrigir provas, trabalhos, monografias, fechar notas, encerrar o semestre letivo, imprimir boletins e diários, chorar com os mestres aqueles pontinhos faltantes… Tudo antes das merecidas férias de julho, ou do recesso de meio de ano, pois o professor precisa ficar à disposição, caso o diretor o convoque para alguma atividade no período. Os estudantes, se bem planejarem, conseguem descansar um pouco para voltarem mais bem preparados em agosto.
A burocracia sempre me afetou e é a razão primeira de meus entraves e pendências que carrego até hoje, oriundos das atividades a que me dediquei. Sempre prezei por realizar algo – orientação, projeto, aulas, etc – mas o simples preenchimento burocrático de formulários ou relatórios que ninguém lerá me irrita e me faz procrastinar abertamente. Pago, literalmente, por isso, eu sei.
A atividade escrita deveria ser voltada ao registro necessário de ideias, opiniões, fatos, sentimentos, crenças e não para justificar empregos e salários. Tenho forte afinidade pelo papel, pelo lápis e pela caneta, mas não pelo carimbo, pelo grampeador e pelas pastas de arquivo. Avaliações são necessárias para acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem, não para preencher uma tabela ou mostrar que a atividade foi simplesmente feita.
Em relação aos escritos, admiro-me com os recursos existentes, ainda mais agora que temos grande acesso a documentos antigos, jornais de séculos passados, tudo disponível na rede de computadores. Li alguns relatos sobre um pseudônimo desconhecido de Euclydes da Cunha e fui buscar outras referências e encontrei fatos sobre Lorena que podem ser estudados. Leio notícias sobre reciclagem de plásticos como algo novo, mas que realizamos há um bom tempo em nossos laboratórios, porém sem a devida propaganda. Ou seja, perspectivas de prospecção da atividade escrita não faltam.
Enfim, fica aqui, atrasado, um desabafo de fim de semestre com o registro de ideias suficientes para o resto do ano.







