Colégio do Estado, na rua Viscondessa de Castro Lima, no antigo solar do Conde Moreira Lima.
Neste ano eu estou cursando o primeiro científico, pois ainda não foi criado o curso clássico, a minha vocação, nessa escola. Negação para as ciência exatas, venho passando muito vexame com as minhas notas baixas; em matemática, só tiro notas um ou dois. Notas baixas, diga-se de passagem, aqui e no Colégio Patrocínio de São José, onde me meti a fazer o primeiro ano de Contabilidade. Nessa escola, pontifica o professor Flávio Barreto, irmão da cabeleireira Alice, na rua da Piedade, o qual leciona uma disciplina hieroglífica, difícil mesmo, chamada Contabilidade Geral, na qual tiro notas vergonhosas.
Mas agora estou no Colégio do Estado, na aula de Matemática, ministrada magnificamente pelo professor Ramiro (que dizem ser um ótimo clarinetista). Esse professor está entregando as últimas notas mensais. É a minha vez de recebê-la.
O seu Ramiro tem um sorriso irônico na boca. Sádico, ele torce as mãos, olha pra sala e diz, com muita alegria:
– Senhores, hoje é dia de festa! Desta vez o Olavo conseguiu tirar três!







