Nosso cérebro vive nos enganando. Isso é um efeito colateral da sobrevivência, pois se tudo o que víssemos e sentíssemos demandasse uma interpretação e armazenamento nos neurônios, enlouqueceríamos.
A visão que temos é extremamente limitada. Dentro do espectro eletromagnético de todas as radiações, com seus comprimentos de onda e energia associados, a parte correspondente à luz visível é muito pequena. O conjunto de cores do arco-íris compõe a luz branca, mas, proporcionalmente, somos praticamente cegos.
Essa região, junto com a luz ultravioleta, corresponde às chamadas transições eletrônicas e permite o uso de corantes e pigmentos e também a quantificação de substâncias, usando equipamentos adequados. Sim, é necessário o uso de um instrumento que supere nossa deficiência visual e não nos induza a erros.
Na semana que passou, foi sensação nas redes sociais a discussão sobre as cores de um vestido. Originalmente composto de listras azuis claras com outras pretas, fotos do vestido com diferentes luminosidades foram publicadas, criando grupos que enxergavam várias outras cores, com predominância do branco e dourado. Meus alunos vieram me questionar sobre qual a “cor verdadeira” e usei o exemplo como contra-exemplo: a confusão não faz parte do método científico e analítico de se determinar substâncias e quantificá-las.
Tudo por conta de mudança no contraste dessas cores, que nos faz mudar o foco e enxergar o que não está lá – no caso, o azul claro vira branco como compensação pelas cores e luminosidade ao redor do vestido. Se isolar pedaços da imagem e usar softwares que “olham” isoladamente esses pedaços, conclui-se que enxergar o branco ou mesmo o dourado é o fruto de uma ilusão óptica.
Em terra de cegos, quem tem um bom espectrofotômetro pode não ser rei, mas tem menos chances de cometer erros.








