Missivista contumaz que sou, compartilho neste espaço três cartas enviadas (e não publicadas) à Folha de S. Paulo, comentando temas do título desta coluna, assuntos que foram publicados nesse início de mês naquele grande jornal. São todas, enfim, relacionadas ao conhecimento e ao saber.
O livro sobre a história da maconha no Brasil é um marco interessante para a discussão das drogas na sociedade e sua relação com o poder econômico (“Livro mostra as metamorfoses da substância”, 2/4). O estigma dos cigarrinhos e baseados talvez não seja justo em relação à extensão dos danos que a maconha cause ou de sua importância na economia. Longe de querer fazer apologia a tal uso, mas estudos mostram que é a partir do álcool que se migra para drogas mais fortes, como a cocaína. No entanto, as bebidas estão incólumes à proibição – no máximo, discussões superficiais sobre o machismo na propaganda de cerveja -, uma vez que sua força no comércio é notória.
Se a lei é falha para coibir crimes, hediondos ou não, praticados por maiores de 18 anos, por que, milagrosamente, passaria a surtir efeito sobre os que têm menos que essa idade? O tema parece ser mais uma daquelas falácias que se levantam de tempos em tempos para evitar a verdadeira discussão sobre um problema. No caso, a mescla de educação com condição e espaço social urge políticas de longo prazo que superam o tempo dos mandatos eleitorais. Mais fácil serem substituídas por uma discussão no impulso de clamores fervorosos do momento, pois dá mídia e até voto.
De forma orquestrada (ou não?), a educação permeia a fundo a edição da Folha desta segunda-feira, 6/4. Começa com uma boa e realista entrevista com o Ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, mostrando a força da USP na área educacional dentro do governo na última década. Adentra pela detalhada reportagem de Érica Fraga e Fábia Takahashi (Cotidiano) sobre a forma como as universidades particulares estão lidando com o Fies, dando-nos uma radiografia interessante de quanto de financiamento público existe nas mais diversas instituições privadas. Mas a edição não parou por aí, pois até na seção “A cidade é sua” foi publicada reclamação de cobrança indevida por parte de uma universidade. E, para fechar, “Mortes” reporta o falecimento da professora Arlette D´Antola, mostrando que “Sua maior vocação foi a docência”. Que seja uma edição para inspirar nossa Pátria Educadora.








