Autor: Adilson Gonçalves

Pesquisador científico, formado em Química pela Unicamp. Foi professor na EEL-USP, em Lorena, por 20 anos, e atua na pesquisa de biocombustíveis e conversão de biomassa vegetal. Presidiu o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Lorena por dois mandatos e é membro fundador da Academia de Letras de Lorena, tendo sido seu presidente por quatro anos.

Após cinco anos de trâmite e discussão, foi promulgada no início deste ano a lei 13.243/2016, que trata da regulação da atividade de pesquisadores envolvidos em projetos de inovação junto a empresas. É uma reivindicação antiga de servidores envolvidos com esse tipo de atividade em universidades e centros de pesquisa, que não podiam desenvolver nenhum projeto em conjunto com a iniciativa privada sem o risco de praticar crime. Sim, o pesquisador agora deixa de ser visto como um criminoso em potencial e é um pouco mais valorizado em sua busca pelo conhecimento, inovação e contribuição para o desenvolvimento científico e…

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Uma foto artística e nela pretende-se expressar o movimento da imagem. Em primeiro plano, uma coluna de mármore, ladeada por outras colunas de mesma natureza que se afastam em direção ao fundo de um ambiente (igreja, palácio?), diminuindo de tamanho em perspectiva. Ao final da série de sustentáculos de um teto imaginário, a figura de uma pessoa caminhando. Pronto, a fixação de um momento congelado, nítido, consegue dar a impressão e a leveza de um andar puro da pessoa, acompanhando o movimento, com certeza inexistente, das colunas. Usar dessa abordagem poética para descrever uma foto é uma liberdade que me…

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Ano novo, tabela quase completa. Nesta semana foi anunciado que os elementos químicos superpesados foram confirmados, completando-se o sétimo período da famosa tabela que contém todos os elementos químicos. Chegou-se ao elemento de número atômico 118, ou seja, que contém 118 prótons em seu núcleo. É um fato importante porque mostra ser possível, ainda que por tempos infinitamente pequenos, manter alguns átomos estáveis para medir suas propriedades. Muitos se perguntarão sobre a utilidade disso, ou tratarão o fato com desdém, como os comentários que apareceram nos sites de notícias ao longo desses dias. Mas para que serve? A mesma pergunta…

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Escrever é o início do contato com o mundo. Aprendi cedo a ler, perto dos 6 anos, antes de adentrar o ensino formal. As vizinhas me ensinaram (depois foi minha tia Francisca quem me iniciou no inglês, mas é outra história). Lia muito, mas somente aos quinze anos descobri que poderia também escrever algo. E “Pássaro prisão” foi meu primeiro poema, escrito no calor da indignação do preconceito do gerente da loja de tintas em que eu trabalhava com um freguês negro (na época não era cliente) que havia entrado para perguntar preços e nada comprou. No papel de embrulho…

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Adilson Roberto Gonçalves Nascemos num meio e nesse ambiente nos desenvolvemos. Somos animais políticos, inquestionável fato, mesmo que haja os que o queiram negar. Cresci em classe média baixa que almejava chegar lá, fosse esse “lá” onde fosse. Os entraves sociais se mesclavam com os culturais e políticos. Minha infância foi no final da ditadura. Somente no ensino médio convivi com professores que falavam mais abertamente de lutas políticas. Após isso, a universidade trouxe-me o mundo tal qual ele realmente era. Terminada a graduação, senti a necessidade de expressar opiniões de forma escrita e as cartas para jornais e revistas…

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Recentemente, fui instado a fazer um relato sobre minha trajetória profissional, traçando perfis. Descobri que não é tão simples falar de si próprio, quando há várias facetas daquilo que se entende por vida profissional. Como separar a atuação política e atividades ambientais daquilo que veio a ser a profissão de docente universitário? Usar da escrita é uma das melhores formas para explicitar o que realmente se pensa. É um momento no qual dialogamos conosco em particular e podemos fazer todo tipo de crítica, sem o risco do julgamento externo. Assim procurarei fazer, neste final de ano, traçando alguns perfis meus,…

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Descubro que no final do ano letivo, milhares de livros são descartados pelas escolas públicas porque não foram usados ou foram substituídos por outros, de edições mais novas, e não há local para armazená-los. Os programas de livro didático foram um notável avanço no fornecimento de material de estudo para alunos, uma vez que o livro impresso tornou-se caro para a aquisição individual. No entanto, parece que não existe a preocupação de alocar adequadamente os exemplares, verificar se não são necessários em outros lugares ou mesmo estimular os alunos para que deles se apossem, cuidem e se engrandeçam. O permanente…

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As “Espumas flutuantes” de Castro Alves se originavam na alma do poeta e nas vagas do mar. Nessas ondas de água salgada, as bolhas que se fazem ver não devem conter outras substâncias que não a água e os gases do ar. Já as espumas que chegam a Pirapora às margens do Rio Tietê são distintas. O rio rebelde, que atravessa o estado de São Paulo, fugindo do mar, padece dessas espumas poluentes agora, mais uma vez, quando já se tinha recomposto tempos antes. Produtos mais fáceis de serem degradados biologicamente predominavam, as espumas retrocederam, mas não adiantou. A sociedade…

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