Aquela boa ideia gestada no dia-a-dia do trabalho chega até os superiores? Provavelmente não. O sistema de uma caixa para se colocar informações, dicas e sugestões funciona em alguns lugares – empresas, especialmente –, mas quem faz a triagem? Teria o mesmo espírito altaneiro de antever soluções e até revoluções feitas pelos funcionários? Provavelmente também não. Fará um trabalho mecânico, burocrático, quase repetindo a situação reinante: se não tiver evidência de aplicação imediata e lucro, não segue adiante.
Em chamada especial de fomento pela Fapesp, a maior agência estadual de fomento à pesquisa, clamava-se para que pesquisadores apresentassem projetos revolucionários, pensassem “fora da caixa”, ousassem. Não queriam o lugar-comum. Pois bem. Apresentando uma pré-proposta nesses moldes a representantes da empresa que financiaria metade do projeto, a resposta foi que não viam aplicação imediata para aquilo! Qual a lógica? A do reprodutor da mesmice, mesmo em altos escalões de empresas e instituições consagradas.
A informação, assim, não circula. Quanto de inovação e de desenvolvimento deixamos de praticar por causa dessas más práticas é até assunto de investigação, mas é difícil encontrar uma solução para minimizar seus efeitos deletérios. Associado ao tortuoso fluxo dos dados, temos o excesso de informações, muitas inúteis, de pouco valor, mas que demandam um tempo razoável para evitar os erros comentados no início deste relato: o de perder algo importante.
Minha caixa de e-mails vive abarrotada, computando quase 3 mil trocados em um ano, apenas aqueles referentes a trabalho, eliminando-se os boletins eletrônicos, spans e outros entraves. É impossível gerenciar tudo de forma e extrair o máximo de informação, restando-me a pergunta do título.







