Com profunda tristeza, comunicamos o falecimento de Pedro Augusto Leite, lorenense de coração e patrimônio vivo da história de Lorena e do Clube Comercial, ocorrido nesta segunda-feira, 11 de agosto.
Nascido em 7 de junho de 1930, na cidade de Paraguaçu (MG), Pedro faleceu aos 95 anos, sendo 71 deles vividos em Lorena. Figura querida e presença marcante na vida social e esportiva da cidade, foi dentista e reconhecido como um guardião da memória do Clube Comercial de Lorena.
Em 2016, contou momentos importantes de sua trajetória à jornalista Graziela Staut:
“Morei aqui aos 17 anos, para estudar em Guará. Voltei definitivamente depois de formado em Odonto, em 1954. Meu cunhado dr. Alceu, médico, e o Saulo, dentista, me deram muita força pra vir. E me adaptei muito bem aqui”.
Em Paraguaçu, Pedro — que se descrevia como “um rapaz namorador” — era muito amigo da família de uma moça bonita chamada Eva Sales.
“Nós éramos muito amigos mesmo. Nossos pais eram amigos. Nem imaginávamos namorar… Mas depois de tantos anos, numa das idas do Pedro para sua terra natal, eis que num Carnaval, tudo começou”, lembrou Eva.
O casamento aconteceu em 1967. Eva, musicista formada e oriunda de uma família de músicos, também veio morar em Lorena. Do casamento, nasceram as filhas Dinah (esposa de José Agnaldo e mãe de Pedro Augusto e Frederico), Luciana (esposa de Luis Filipe e mãe de Luis Henrique) e Daniela (esposa de Ricardo e mãe de João e Lucas).
A amizade com o fundador e a história do Clube Comercial
Por ser muito amigo do fundador e primeiro proprietário do CCL, Firmino Borges Escada, Pedro acumulava histórias sobre a criação do clube.
“Uma vez, estávamos em um jantar do Lions, quando eu perguntei a ele quais eram seus planos. E ele respondeu: ‘Estou agora com 75 anos. Meu plano é chegar aos 150’, brincou. Era sempre bem-humorado”.
Pedro se recordou de uma história marcante que o amigo lhe contara: “Em 1935, houve eleição no Esporte Clube Hepacaré. O Firmino concorreu a presidente, mas não ganhou. Aí um diretor do Clube disse pra ele: ‘Você ganhou, mas roubaram seus votos, jogaram fora’. E foi então que ele decidiu: ‘Vou fundar um clube dos comerciários de Lorena’”.
O local escolhido foi um imóvel na esquina da Praça Arnolfo, onde hoje está o Banco Santander. Lá funcionava o Bar do Chico Mineiro, adquirido com recursos da Associação Comercial de Lorena, da qual Firmino era administrador, além de investimentos de outros comerciantes.
Um presente para a sociedade lorenense
Pedro se recordava com emoção do dia em que Firmino Escada decidiu doar o Clube Comercial à sociedade: “Eu tinha entrado como sócio contribuinte em 1964 e, em 1966, fui convidado para ser diretor social. Nesse mesmo ano, o Firmino disse que queria fazer uma reunião com os 15 diretores. Na reunião, ele comunicou que ia doar o CCL à sociedade, porque tinha 59% das ações. Já tinha feito o Estatuto e até registrado em cartório. A maioria dos demais sócios concordou, mas alguns não. O Firmino disse que ia sortear um por um e pagar a todos por sua parte. Foi muito bonito”.
Carreira no Clube Comercial
A primeira eleição do CCL ocorreu após a doação. Antes disso, o próprio Firmino escolhia os membros do Conselho. Pedro foi candidato ao Conselho Deliberativo e obteve o maior número de votos: 353, em um pleito com 89 candidatos.
Mesmo não tendo sido candidato a presidente da Diretoria Executiva, Pedro Leite exerceu o cargo em duas ocasiões. A primeira em 1983, após a morte de Hélio Giordani. Ele era presidente do C.D. e conduziu a D.E. por três meses. Depois, assumiu o vice-presidente, Jaques Bellini. A segunda vez que Pedro assumiu a presidência foi em 1988, quando o então presidente dr. Humberto do Carmo pediu demissão. “Assumi provisoriamente. Era pra ter uma nova eleição, mas me fizeram o convite pra permanecer na presidência e eu aceitei”. E então ele foi presidente por dois anos. De 1991 até 1995, foi vice-presidente da D.E. que era comandada pelo dr. Pedro Guimarães (Pirti).
“Antes, os mandatos eram de dois anos e considerávamos que era pouco tempo. Passou-se pra quatro e aí era muito. E então regulamentou-se três anos, sem direito à reeleição, como é hoje”, contou.
Pedro Leite também foi presidente do Conselho Deliberativo por 5 vezes.
Pedro ainda participou de momentos históricos, como a mudança da sede da Praça Arnolfo para o endereço atual. “Éramos em 600 sócios e o espaço não comportava mais tanta gente. Mesmo assim, houve muita resistência. Mais de 200 sócios deixaram de pagar suas mensalidades, alegando que estávamos saindo do Centro pra roça”. Mas foi a grande mudança, que possibilitou que o CCL se tornasse um dos principais clubes do Vale do Paraíba.
No CCL, Pedro praticou futebol, vôlei e foi presença assídua nos bailes e carnavais. Em 2016, foi homenageado com seu nome no Quiosque 1, durante a reinauguração do espaço.
Neste momento de dor pela despedida, Lorena e os lorenenses se solidarizam com familiares e amigos, reconhecendo a relevância de Pedro Leite para a história e a cultura de Lorena, e agradecendo por seu legado de amizade, serviço e pertencimento comunitário. Foi uma grande honra, querido amigo!
A despedida acontece na Igreja do Lar São José e o sepultamento às 10h desta terça-feira, 12 de agosto, no Cemitério Municipal.









